Corrosão galvânica: como unir metais diferentes
A corrosão galvânica, também chamada corrosão de contacto, pode acelerar a degradação de um metal quando este está ligado eletricamente a outro e ambos são molhados por um eletrólito comum. Por isso, escolher fixações exige mais do que conhecer os nomes dos metais: é preciso considerar a humidade, os revestimentos e as áreas expostas das peças. A proteção passa pela escolha de materiais compatíveis, pela interrupção do circuito elétrico ou por evitar uma molhagem prolongada.
Quando se forma um par galvânico
Têm de coexistir potenciais de corrosão diferentes no meio em causa, uma ligação condutora entre os metais e um eletrólito que una as suas superfícies. Uma película de água com sais dissolvidos pode funcionar como eletrólito; não é necessário mergulhar todo o conjunto. Mesmo no interior, devem ser consideradas a condensação e a limpeza com água.
O metal menos nobre do par torna-se o ânodo e sofre o ataque preferencial; o outro funciona como cátodo. Estes papéis dependem do meio e do estado da superfície. Uma série galvânica para água do mar não é uma tabela universal de compatibilidade, e a diferença entre potenciais padrão não permite determinar a velocidade de corrosão de uma ligação real.
Como a configuração da ligação altera o risco
Importa a área das superfícies expostas molhadas pelo eletrólito, não a massa das peças nem apenas a zona onde se tocam. Um ânodo pequeno ligado a um cátodo grande é particularmente desfavorável: o ataque concentra-se numa superfície reduzida. A tabela apresenta princípios de avaliação, não combinações aprovadas para qualquer obra.
| Situação | O que determina o risco | Medida prática |
|---|---|---|
| Ligação seca entre metais diferentes | Sem um eletrólito comum, este mecanismo não atua | Verificar a possibilidade de condensação e entrada de água |
| Fixação de alumínio numa peça grande de aço inoxidável, quando molhada | Um ânodo pequeno de alumínio está ligado a um cátodo grande | Rever o material da fixação e a proteção da ligação |
| Fixação de aço inoxidável numa peça grande de alumínio | A relação entre áreas é mais favorável, mas o sal e a água retida mantêm o risco | Avaliar o meio, o isolamento e a drenagem |
| Só o metal menos nobre está pintado | Um risco na pintura expõe um ânodo pequeno junto de um cátodo grande | Escolher uma proteção que considere ambos os elementos do par |
Como proteger uma ligação mecânica
- Identifique as ligas, os revestimentos e as condições de serviço: chuva, condensação, contaminação salina e imersão. Confirme a combinação na documentação do fabricante do sistema.
- Preveja a drenagem e a possibilidade de secagem. As frestas e as acumulações de sujidade podem reter eletrólito; a vedação deve ser adequada à configuração e às condições de utilização.
- Para garantir a separação elétrica, verifique todo o percurso de contacto: junta entre as peças, casquilho em torno do parafuso, anilhas e rosca. Uma única anilha de plástico não garante a interrupção do circuito. Os isolantes devem resistir à carga e ao meio.
- Ao utilizar revestimentos de barreira, proteja a superfície catódica ou ambos os elementos, e não apenas o ânodo. Verifique os danos durante a montagem e o estado do revestimento na manutenção.
Quando é necessária uma avaliação específica
A ausência de um par galvânico não exclui outras formas de corrosão. As ligações estruturais, as tubagens e as uniões permanentemente molhadas exigem soluções de projeto adequadas ao meio concreto; esta tabela não permite estabelecer a vida útil nem a carga admissível.
O isolamento elétrico de peças mecânicas não deve ser aplicado automaticamente a contactos percorridos por corrente, à ligação à terra ou a ligações equipotenciais: nesses casos, a continuidade elétrica pode ser obrigatória. Utilize os conectores compatíveis e as proteções previstos no projeto para essas ligações.